Torrador de café a gás: gás natural ou GLP, o que preparar na instalação

Torrador de café a gás: gás natural canalizado ou GLP em cilindros e tanque, potência térmica por modelo, pressão, linha de gás, ventilação e segurança.

Resposta curta: Na Kafgar, os torradores de 15 kg para cima funcionam somente a gás: GLP, GNL ou gás natural. O elétrico existe apenas de 0,5 a 10 kg. O gás natural canalizado é o mais simples onde há rede. O GLP chega aonde a rede não chega, mas pede cilindros ou tanque bem dimensionados. A potência térmica do modelo orienta o projeto.

O gás costuma ser decidido depois do torrador, como se fosse um detalhe da obra. Na prática, ele condiciona a escolha do imóvel e a data em que a produção começa, e pesa no custo de cada lote. Uma ligação de gás canalizado que demora a sair, ou uma bateria de cilindros que não sustenta a vazão numa manhã fria, deixa parado um torrador novo. Vale resolver o gás antes de assinar a locação e antes de fechar o pedido.

Este guia trata da instalação. Para a visão geral do negócio, do imóvel às licenças, veja como montar uma torrefação de café.

Por que os torradores maiores são só a gás

Um torrador de tambor precisa de muito calor em pouco tempo, lote após lote. O KR-15 tem 58 kW de potência térmica, o KR-60 chega a 93 kW e o KR-500 trabalha entre 290 e 600 kW. Entregar essa potência com resistências elétricas exigiria uma ligação de energia que poucos imóveis têm. Por isso a Kafgar oferece versão elétrica só nos modelos de 0,5 a 10 kg. Do KR-15 em diante, o torrador é a gás.

ModeloLote (kg)Capacidade (kg por hora)AquecimentoPotência térmica (kW)
KR-1.51,54,5Gás ou elétrico17,5
KR-339Gás ou elétrico27,5
KR-5515Gás ou elétrico30
KR-101030Gás ou elétrico35
KR-151545Somente gás58
KR-202060Somente gás58
KR-303090Somente gás62,5
KR-6060180Somente gás93
KR-120120360Somente gás140
KR-240240720Somente gás140
KR-5005001.500 a 2.000Somente gás290 a 600

A potência térmica é o primeiro dado que o instalador e o fornecedor de gás pedem. É com ela que se calcula a vazão máxima, o diâmetro da tubulação e o regulador.

Sistema industrial de torra de café Kafgar vermelho com ciclone e painel de controle em um grande galpão de fábrica

O que a potência térmica diz, e o que não diz

A potência da tabela é a máxima do queimador. Dividida pelo poder calorífico do gás, ela dá a vazão máxima que a ligação precisa garantir. O poder calorífico exato do seu gás, e se ele é informado como superior ou inferior, vem da distribuidora. Não use um valor genérico de internet para dimensionar a linha.

Esse número não é o consumo médio. O queimador modula a chama durante o lote e passa boa parte do tempo abaixo da potência máxima. O pré-aquecimento no começo do dia gasta mais que os lotes seguintes, e perfis mais longos ou torras mais escuras mudam o gasto por quilo. Para estimar o custo real, o caminho confiável é medir o consumo nas primeiras semanas de produção, com o medidor ou com o registro de recargas.

Se a torrefação tiver um pós-combustor, ele tem queimador próprio. A vazão dele entra na conta da ligação junto com a do torrador.

Gás natural canalizado

Onde existe rede, o gás natural é o mais cômodo de operar. Não há estoque de combustível, nem controle de nível, nem caminhão de entrega. O gás chega pela tubulação na pressão da distribuidora e um regulador baixa essa pressão para a de trabalho do queimador.

No Brasil, o gás canalizado é distribuído por concessionárias estaduais, e a rede está longe de cobrir todo o território. Em Portugal, a cobertura também varia de uma zona para outra. Nos dois casos, a consulta à distribuidora vem antes do contrato de locação:

  1. Confirme se a rua tem rede e se o ramal atende a vazão do torrador, mais a do pós-combustor, se houver.
  2. Pergunte a pressão disponível no ponto de entrega e qual medidor corresponde ao consumo previsto.
  3. Peça uma previsão do prazo de ligação, que em alguns lugares é longo.

Ter gás residencial no imóvel não basta. Um ramal dimensionado para fogão e aquecedor não sustenta um torrador industrial, e a ampliação pode exigir obra na rua.

Painel de controle de um torrador Kafgar com tela sensível ao toque, botão de emergência e chave geral

GLP em cilindros ou a granel

Onde não há rede, o GLP costuma ser a alternativa. A composição varia conforme o país e o fornecedor, com propano, butano ou uma mistura dos dois. O GLP chega em cilindros ou é entregue por caminhão num tanque fixo, o abastecimento a granel.

O ponto técnico mais esquecido é a vaporização. O GLP fica líquido dentro do recipiente, mas o queimador consome gás. Ao evaporar, o líquido esfria. Se a demanda é alta, o cilindro não evapora gás na velocidade que o torrador pede. A pressão cai, o queimador perde força e o cilindro chega a formar gelo por fora. Em regiões serranas e no inverno do Sul do Brasil e de Portugal, o efeito aparece mais cedo.

A solução depende do porte:

  • Num torrador tipo loja, uma bateria de cilindros ligados a um coletor costuma bastar. O botijão doméstico não serve para essa função.
  • Num torrador industrial que trabalha o dia todo, o normal é o tanque a granel. Em plantas grandes, o tanque pode precisar de um vaporizador.

O tanque fica do lado de fora, nas distâncias de segurança que a norma local fixa, e é instalado pela distribuidora ou por instalador habilitado. Em muitos contratos o tanque pertence à distribuidora, então verifique as condições, a programação das recargas e o aviso de nível baixo. Ficar sem gás no meio de um lote estraga esse lote.

O GNL, gás natural liquefeito, aparece sobretudo em plantas grandes longe da rede, abastecidas por caminhão com uma pequena unidade de regaseificação. Para a maioria das torrefações, a escolha real é entre gás natural e GLP.

A linha de gás até o queimador

Cada queimador trabalha com uma pressão de entrada definida pelo fabricante. A instalação precisa garantir essa pressão no queimador com a vazão máxima, e não só com o torrador desligado. Uma tubulação longa ou estreita demais perde pressão justamente quando mais se precisa de gás, na carga do lote.

Antes de o instalador projetar a linha, entregue a ele:

  1. O modelo do torrador e a potência térmica da tabela.
  2. O tipo de gás e, no caso do GLP, se o abastecimento é por cilindros ou a granel.
  3. A distância do medidor ou do tanque até o torrador e o número de curvas no trajeto.
  4. Os outros consumidores de gás no mesmo ramal, como o pós-combustor.

Na linha entram uma válvula de bloqueio de fácil acesso, o regulador adequado ao gás e a ligação final conforme a norma local. Antes de acender o queimador pela primeira vez, o instalador faz o teste de estanqueidade.

Queimador, tipo de gás e troca de combustível

Os torradores Kafgar usam queimadores Polidoro e Premix, com modulação da chama. No KR-500, o queimador Premix é totalmente modulado. Os modelos a gás têm marcação CE conforme o Regulamento (UE) 2016/426 relativo aos aparelhos a gás.

Gás natural e GLP não queimam da mesma forma, por isso o queimador sai ajustado para o gás informado. Diga no pedido qual será usado e confirme na partida. Se a rede de gás natural chegar à sua rua depois, a conversão é feita por um técnico, às vezes com troca de peças do trem de gás, e nunca pelo operador.

Ventilação e segurança na sala de torra

A sala de torra precisa de ventilação suficiente para o ar de combustão e para retirar o calor. Muitas torrefações instalam também um detector de gás com corte automático. A válvula geral de bloqueio deve ficar fora da sala, num ponto que qualquer pessoa alcance numa emergência.

Treine todos os operadores no acendimento, no desligamento e no que fazer se sentirem cheiro de gás. Dependendo do porte e do município, o corpo de bombeiros e o órgão ambiental também vão olhar a instalação. Consulte as exigências locais antes da obra, não depois.

Quando o elétrico faz sentido

O torrador elétrico atende cafeterias e microtorrefações em prédios onde o gás é proibido ou inviável, de 0,5 a 10 kg por lote. Mesmo assim, ele pede uma ligação elétrica dimensionada para o aquecimento, que precisa ser confirmada com a distribuidora de energia. Confira também a frequência da rede, que é de 60 Hz no Brasil e de 50 Hz em Portugal. Os modelos tipo loja funcionam em 110, 220 ou 380 V, de 50 a 60 Hz. As opções estão em torradores tipo loja.

Perguntas frequentes

Existe torrador de 15 kg elétrico?

Não na linha Kafgar. A versão elétrica vai de 0,5 a 10 kg por lote. O KR-15 e todos os modelos maiores funcionam somente a gás: GLP, GNL ou gás natural.

Qual gás sai mais barato para torrar café?

Depende das tarifas e do contrato em cada região. Converta o que você paga por metro cúbico de gás natural e por quilo de GLP em custo por kWh, usando o poder calorífico informado por cada fornecedor. Só assim a comparação é justa.

Um torrador a GLP pode passar para gás natural depois?

Consulte a Kafgar antes. A troca exige conversão do queimador por um técnico e, conforme o modelo, peças diferentes no trem de gás. Não ligue o novo gás sem essa conversão.

Quem faz a instalação de gás da torrefação?

Um instalador habilitado no seu país. O fabricante fornece a potência térmica e os dados de ligação, e o instalador projeta a linha conforme a norma local e responde por ela diante das autoridades.

Seu torrador a gás com a Kafgar

No Marrocos, um grande produtor de café que também tem cafeterias instalou em 2025 um KR-60 a gás com um carregador de café verde, como mostra o caso do Marrocos. Informe qual gás existe no seu local e quanto você pretende torrar, e indicamos o modelo adequado, com os dados de que o seu instalador precisa para preparar a linha.

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